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1 out
2011
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Por anjostortos    Sem comentários

Isca de Polícia substitui Anelis Assumpção

A banda Isca de Polícia foi criada em 1979 por Itamar Assumpção com a finalidade de acompanhá-lo em gravações e shows, no Brasil e no exterior, onde excursionaram em países como Alemanha, Suiça, Áustria e Holanda. Juntos, gravaram os mais importantes elepês de Itamar e fizeram participações especiais em trabalhos de outros artistas, entre eles Ney Matogrosso. Desde a morte do artista, em 2003, a banda vem recebendo convites para se apresentar em festivais pelo país, sempre com o objetivo de divulgar a música original e criativa de Itamar Assumpção.

Em 2009, a Isca de Polícia fez shows em comemoração aos 30 anos do Teatro Lira Paulistana, em um projeto da Funarte sobre a Vanguarda Paulista, da qual Itamar foi um dos mentores, em parceria com Arrigo Barnabé. A banda também participou do Festival Station Brésil, dentro das comemorações do Ano da França no Brasil, nas cidades de Brasília e São Paulo, onde todos os integrantes moram.

Formada por Paulo Lepetit, Bocato, Luis Chagas, Marco da Costa, Jean Trad, Vange Milliet e Suzana Salles, a Isca de Polícia gravou um álbum só com inéditas de Itamar para a ‘Caixa Preta’, lançada em 2010, via Selo Sesc, com a obra fonográfica completa do artista. Produzido pelo baixista Paulo Lepetit, esse disco contou com a participação de Naná Vasconcelos, Zélia Duncan e Arrigo Barnabé, entre outros.

Ainda em turnê de lançamento dessa bolacha, a Isca de Polícia está em Brasília para divulgar essas canções, que serão misturadas com outros clássicos de Itamar nesses dois espetáculos de encerramento da série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’. A banda substituirá a filha de Itamar, Anelis Assumpção, que está grávida de sete meses, sentiu-se mal e foi proibida de viajar pelo seu médico. No sábado, Jards Macalé fará uma participação especialíssima.

Por Monica Ramalho
Foto de divulgação

28 set
2011
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Jards Macalé é o retrato vivo de uma geração

Eis aqui mais um anjo torto original na ativa. Nascido em 3 de março de 1943, exatamente seis meses antes de Waly Salomão, o pequeno Jards Anet da Silva bebeu trocou as primeiras fraldas na  Tijuca, bairro da zona norte carioca, embaixo do Morro da Formiga. O batuque do morro entrava pelas janelas e, do lado de dentro, sua mãe tocava piano e seu pai, sanfona. Devia ser uma festa para o menino, que antes mesmo de se entender por gente, já escutava de um tudo: valsas, sambas, modinhas, foxes, muito Orlando Silva, Emilinha Borba e Marlene.

Ainda moleque, mudou com a família para Ipanema. Como era ruim de bola até dizer chega, seus amigos o apelidaram de Macalé – como se chamava o pior jogador do Botafogo. Jards Macalé já sabia que queria ser músico e estudou com afinco enquanto treinava em pequenas e amadoras formações. Foi aluno de Guerra Peixe em piano e orquestração, Peter Dauelsberg em violoncelo, Ester Scliar em análise musical e Turíbio Santos em violão. Em 1965, iniciou a jornada profissional no musical “Opinião”. No ano seguinte, assinou a direção musical de um show de Maria Bethânia.

Jards Macalé é o retrato vivo de uma geração. Fez trilhas sonoras de filmes (“Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, de Glauber Rocha, e “Tenda dos milagres”, de Nelson Pereira dos Santos) e peças de teatro. Autor de “Movimento dos barcos”, “Hotel das estrelas”, “Gotham city”, Macalé fez parcerias com, entre outros, Torquato Neto, Jorge Mautner, Capinam, Moreira da Silva, Vinicius de Moraes e Waly Salomão.

Waly foi o principal parceiro e o cancioneiro dos dois virou álbum em 2005, sob a direção musical de Cristovão Bastos “Real Grandeza” traz “Anjo exterminado”, “Vapor barato”, “Mal secreto”, “Negra melodia”, “Revendo amigos”, “Pontos de luz” e as inéditas “Berceuse crioulle” e “Olho de lince”, entre outras. Macalé vai tocar mais uma vez essas canções na série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’ nesta quinta e sexta, dias 29 e 30 de setembro, no CCBB Brasília. Ainda dá tempo de assistir o documentário “Jards Macalé – Um morcego na porta principal”, dirigido em 2010 por Marco Abujamra e João Pimentel!

Por Monica Ramalho
Foto de divulgação

24 set
2011
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Chico César e a sua incensada poética solar

Apesar de mais solar, a poética de Chico César tem alguma interseção com a de Torquato Neto, que ele homenageará na série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’ neste fim de semana. Cantor, compositor, violonista, escritor e jornalista, Chico César nasceu em Catolé do Rocha, na Paraíba, em 26 de janeiro de 1964. A música o atraiu desde sempre e, aos oito anos, já trabalhava numa lojinha de discos. Aos dez anos, se dedicava a formar bandas de covers, entre elas a Super Som Mirim, e aos 14, cantava músicas próprias acompanhado pela rapaziada da Ferradura, outra de suas bandas. Sempre empenhado no que faz, Chico se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba e, em 1984, foi tentar a vida em São Paulo como repórter e revisor de textos.

No início dos anos 90, criou a banda Cuzcuz Clã (que nomearia o seu segundo álbum, incensado pela crítica) e caiu na noite de Sampa, em bares e points alternativos. Nesses ambientes foi fácil cruzar com Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, de quem ficou amigo. No ano seguinte, a sua “Béradêro” venceu um festival no interior de São Paulo e ele foi convidado para fazer uma pequena turnê na Alemanha. Em 1995, lançou o primeiro disco, “Aos vivos”, com a participação especial de Lenine. Pelo menos quatro faixas desse disco viraram hits: “Mama África”, “À primeira vista”, “Mulher eu sei” e “A prosa impúrpura do Caicó″, todas autorais. Chico César entrava pela porta da frente da música popular brasileira.

Com sete álbuns solo lançados até agora, Chico é um anjo torto com a carreira “reta”. Não reta num sentido careta, mas de escolhas certas. Inclusive quando flerta com a turma que produziu música “à margem da margem da margem”. É o caso de Sérgio Sampaio. Chico gravou “Em nome de deus” no disco-tributo “Balaio do Sampaio”, produzido pelo poeta Sergio Natureza, com a participação de Luiz Melodia, Jards Macalé e Zeca Baleiro (que mais tarde viria a lançar ‘Cruel’, só com obras de Sampaio). Em 2000, colocou na praça “Mama múndi”, seu quarto disco, com a percussão de Naná Vasconcelos colorindo a faixa “A força que nunca seca”, parceria de Chico e Vanessa da Matta. Essa canção deu nome ao disco seguinte de Maria Bethânia.

Desde janeiro de 2010, Chico César divide o seu tempo entre a música e a Secretaria de Cultura da Paraíba, após a experiência de alguns meses como presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), em 2009. Quando assumiu o atual cargo, Chico disse que faria um levantamento das manifestações populares da Paraíba e investiria na preservação e na divulgação da cultura de seu estado natal. Chico defende o “pop genuinamente brasileiro” com o qual Torquato tanto sonhava (mas não esperou para ver). Como está no programa da série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’, será mágico ouvir o encontro das tintas inventivas desses dois filhos do Nordeste!

Por Monica Ramalho
Foto de Washington Possato

21 set
2011
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Xangai, a voz do sertão ecoa em Brasília

Cantor, compositor e violeiro, Eugênio Avelino nasceu em 20 de março de 1948, em Vitória da Conquista, na Bahia, e é filho e neto de músicos. Seu avô Avelino, que chegou aos 101 anos, era o maior sanfoneiro da região e ensinou tudo o que sabia ao pai do artista que homenageará Sérgio Sampaio na série ‘Anjos Tortos, a MPB gauche na vida’. Ainda moleque, ele se mudou com a família para a Zona da Mata, em Minas Gerais, onde o pai abriu uma sorveteria e a chamou de Xangai – batizando, também, o cantor que então se formava para o mundo.

Xangai é primo do cantor e compositor Elomar e, com ele, aprendeu a soltar a voz agreste engrossando o coro dos vaqueiros durante o aboio. Sobre o parente, escreveu Elomar: “Xangai, um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas. Remanescentes que teima guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra a multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz. Lá vai ele recalcitrante e contumás cavaleiro, perdulário da bem querência que deixa a índole dissoluta de um pobre povo que habita o espaço rico de uma pátria que ainda não nasceu”.

Uma das vozes mais bonitas da música sertaneja considerada “de raiz”, Xangai é apontado por muitos como aglutinador das sortidas linguagens do sertão brasileiro. Muitos de seus discos são classificados como antológicos pela crítica especializada, com destaque para o primeiríssimo, “Acontecivento”, de 1976, mais “Parceria malunga” (1980), com Elomar e Arthur Moreira Lima e a dupla “Cantoria 1” (1984) e “Cantoria 2” (1985), que Xangai gravou ao lado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias e “Nós é jeca mas é joia”, que ele fez com Juraildes da Cruz em 2004. Ao todo, a arte de Xangai está registrada em 16 álbuns.

Nesta quinta e sexta-feiras, dias 22 e 23 de setembro, os brasilienses terão uma oportunidade única de ouvir Xangai cantando a obra ainda pouco conhecida de Sérgio Sampaio. Os dois foram muito amigos em vida e Xangai é padrinho de João Sampaio, filho de Sérgio com a arquiteta Ângela breitschaft. Quase consigo imaginar a voz peculiar do cantor baiano ocupando o Teatro I do CCBB Brasília. Ele também apresentará suas famosas composições, além de adaptações do folclore nordestino, feitas em ritmo de xote, cocos e toadas.

Por Monica Ramalho
Foto de Márcio Lima

8 set
2011
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Jorge Mautner é a conjugação de verbos incomuns

Jorge Mautner é a conjugação de verbos incomuns: filho de mãe iugoslava, católica e do lar, pai austríaco, judeu e culto, foi criado por uma babá brasileira que era ialorixá e lhe mostrou os batuques do Candomblé. E quando seus pais se separaram, a mãe se casou com um violista da Orquestra Sinfônica de São Paulo, que deu ao menino as primeiras lições no instrumento. Não disse? O que poderia acontecer com esse menino que atravessou fronteiras no útero materno e nasceu no Brasil em 17 de janeiro de 1941, três ou quatro semanas após a chegada de seus pais, que fugiam do holocausto?

As misturas continuaram por toda a vida: Nos anos 60, aderiu ao Partido Comunista e, depois de enfrentar o xilindró, foi para os Estados Unidos, onde atuou na Unesco e traduziu livros brasileiros. Em seguida, trabalhou como secretário do poeta Robert Lowell e se aproximou do poeta e sociólogo Paul Goodman, militante pacifista anarquista da nova esquerda. Em 1970, já em Londres, travou amizade com Caetano Veloso e Gilberto Gil. De volta ao Brasil, integrou a folha de pagamentos do tablóide O Pasquim e, na mesma época, conheceu Nelson Jacobina, seu parceiro musical até hoje.

Ao contrário de Raul Seixas, o músico que vai homenagear na série ANJOS TORTOS nos dias 17 e 18 de setembro, às 21h, no CCBB Brasília, Mautner era um excelente aluno, mas, ousado, foi expulso do colégio por ter escrito um texto indecente para os costumes da época. Talvez inspirado pelo tumulto que suas ideias causaram, se empenhou em produzir “Deus da chuva e da morte”, seu livro de estreia que já garantiu um Prêmio Jabuti de Literatura em 1962. O título forma a trilogia “Mitologia do Kaos”, junto com “Kaos”, de 1964, e “Narciso em tarde cinza”, de 1966, que você encontra nas livrarias.

Mautner e Raul se encontraram algumas vezes, mas o show que entrou para a história foi o Banquete dos Mendigos, realizado em dezembro de 1973, sob a direção de Jards Macalé. Realizado no MAM carioca, foi uma espécie de show-manifesto, criado para festejar os 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao lado de Raulzito, Mautner e Macalé cantaram artistas como Luiz Melodia, Paulinho da Viola, Gal Costa e Chico Buarque. Na série ANJOS TORTOS, Mautner vai interpretar pela primeira vez em público certas músicas de Raul. Quais? Surpresa, gente!

Por Monica Ramalho
Foto de Sandro Fortunato

31 ago
2011
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Por anjostortos    4 comentários

Max de Castro está sempre nas listas dos melhores

Para cantar os sucessos do Rei da Pilantragem, escolhemos um artista múltiplo que traz Wilson Simonal nas veias: o seu filho Max de Castro. Ele veio ao mundo em 14 de novembro de 1972, quando Simonal já iniciava uma fase delicada que se arrastaria pelo resto da vida. Max foi incentivado pelo pai a estudar música e, quando garoto, escutava sem parar os elepês de Jorge Ben, Djavan e Cassiano, para citar algumas influências. Em 2000, surpreendeu a crítica especializada – e amigos como Ed Motta, Lobão e Nelson Motta – ao lançar o álbum ‘Samba raro’, todo composto, arranjado, tocado e produzido por ele.

No ano seguinte, fez as primeiras turnês internacionais nos Estados Unidos e na Europa, onde se apresenta todos os anos. Max de Castro virou sinônimo de modernidade e ele passou a ser chamado para produzir faixas nos discos de nomes como Tom Zé, Paula Lima, Kid Abelha e Roberto Frejat. Em 2002, lançou um segundo álbum solo ainda mais requintado. ‘Orchestra Klaxon’ o estampou na capa da revista americana Time, junto com outros jovens talentosos, numa matéria sobre as novidades da música mundial.

Essa bolacha abriu os horizontes da sua música, firmando parcerias e aproximando convidados. Max assina músicas com Erasmo Carlos, Marcelo Yuka, Seu Jorge e pela banda passa instrumentistas como Daniel Jobim e Liminha. Por enquanto, a sua discografia soma mais dois trabalhos: o autoral ‘Max de Castro’, de 2005, com participação do percussionista Naná Vasconcelos, e ‘Balanço das horas’, de 2006, que reúne samba, hip hop, jazz, soul music, dub, efeitos e distorções, funk e batidas eletrônicas. Mais uma vez, a sonoridade do artista conquistou um bom lugar nas listas dos melhores do ano.

Vamos ouvir tudo isso (e muito mais, já que Max cantará Simonal) ao vivo nos dias 15 e 16 de setembro, às 21h, no CCBB Brasília. Será o show de abertura da série ANJOS TORTOS, A MPB GAUCHE NA VIDA. Ô sorte!

Saiba mais sobre Max de Castro no Dicionário Cravo Albin!

Por Monica Ramalho
Foto de André Passos